QUEM É JAGANNATHA E O QUE REPRESENTA O RATHA YATRA?

Rompendo as fronteiras geográficas e culturais, o Ratha-Yatra demonstra a universalidade do amor espiritual. Vamos explorar o que este antigo festival oferece às pessoas modernas de todo o mundo que buscam um despertar espiritual.

A globalização do Ratha-Yatra expande-se além de Jagannatha Puri, e além mesmo da Índia. Em 1967, Srila Prabhupada inspirou o primeiro Ratha-Yatra fora da Índia, em São Francisco, que também foi sede do primeiro templo ocidental de Jagannatha (Nova Jagannatha Puri). Desde então, o festival tem assumido proporções internacionais. Com efeito, Jagannatha tornou-se o rosto encantador da beleza e do mistério da espiritualidade da Índia.

Porque é que o Senhor Jagannatha não se parece com Krishna? As escrituras contam a história por detrás da peculiar forma de Jagannatha.

O Skanda Purana relata os esforços do rei Indradyumna para encontrar uma Deidade de Krishna após sonhar com uma bela deidade azul chamada Nila Madhava. Para encontrar essa Deidade, o rei Indradyumna enviou mensageiros em todas as direcções e o brahmana Vidyapati descobriu onde Ela estava sendo adorada. No entanto, quando Vidyapati retornou ao local com Indradyumna, Nila Madhava já não estava lá. Irado, o rei e os seus soldados cercaram toda a vila, quando uma voz vinda do céu proclamou: ” Deixe esse povo em paz e construa um grande templo para Mim no topo da colina. Lá me verás numa forma feita de madeira de Nim”.

Após ter prometido aparecer como madeira, Indradyumna esperou Nila Madhava à beira-mar, quando finalmente o Senhor apareceu como uma tora gigante boiando. Disfarçado de idoso, Vishvakarma, o arquitecto dos semideuses, apareceu para esculpir as deidades sob a condição de que só o faria se pudesse ficar durante vinte e um dias a trabalhar sem ser perturbado. Embora o rei Indradyumna tivesse consentido, após alguns dias e antes do prazo estipulado acabar não conseguiu conter a curiosidade e abriu a porta da sala onde Vishvakarma trabalhava. Vishvakarma tinha desaparecido e as deidades de Jagannatha, Baladeva e Subhadra pareciam estar inacabadas. O rei perturbado pensou ter ofendido o Senhor!

Mas nessa noite o Senhor Jagannatha falou ao rei durante o sonho e explicou-lhe que Ele revelava-se naquela forma a fim de mostrar ao mundo que Ele pode aceitar oferendas sem mãos e que pode mover-Se mesmo sem pés.

O Utkala-khanda do Skanda Purana traz outro relato em relação ao aparecimento de Krishna como Jagannatha.

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Certa vez, durante um eclipse solar, Krishna, Balarama, Subhadra e outros residentes de Dwaraka foram banhar-se num lago sagrado em Kurukshetra. Sabendo que Krishna estaria presente no local de peregrinação, Srimati Radharani, os pais de Krishna e outros residentes de Vrindavana foram até lá para se encontrarem com Ele. Dentro de uma das várias barracas existentes no local estava Rohini, a mãe do Senhor Balarama, narrando para as rainhas de Dwaraka os passatempos de Krishna em Vrindavana.

As histórias contadas por Rohini eram extremamente confidenciais e, por isso, ela pediu a Subhadra que ficasse à porta para que ninguém ouvisse por acaso. Krishna e Balarama foram também até a porta e cada um ficou de um lado de Subhadra. Enquanto ouviam as narrações de Rohini, Krishna e Balarama tornaram-Se extáticos e Seus sentimentos internos manifestaram-se externamente. Em êxtase, Seus olhos dilataram, Suas cabeças se comprimiram junto ao corpo e Seus membros se recolheram. Vendo essas transformações em Krishna e Balarama, Subhadra também entrou em êxtase e assim exibiram Suas formas extáticas de Jagannatha, Baladeva e Subhadra.

A forma de Jagannatha tem essa história especial por trás dela, e o mesmo se dá com Sua carruagem festiva. Muitas deidades (esculturas divinas) saem em procissões para derramar graça sobre os espectadores, mas Jagannatha sai em outra missão especial. Após Krishna ter deixado Vrindavana, as gopis de Vraja encontraram-se com Ele muitas décadas mais tarde, em Kurukshetra, onde devotos de muito longe tinham congregado-se para realizar cerimônias religiosas durante um eclipse solar. A breve união das gopis com Krishna inflamou em seu interior um desejo ardente para uma reunião duradoura no paraíso pastoril de Vrindavana – o lugar original e inimitável de seus passatempos com Krishna. Eles imaginaram-se levando Krishna de volta para Vrindavana em uma carruagem – não dirigida por cavalos, mas pelo amor de seus corações e o trabalho de suas mãos. Seu desejo sagrado é imortalizado no Ratha-Yatra, em que o ponto de partida representa Kurukshetra, e o ponto final representa Vrindavana. Quando puxamos a carruagem do Senhor, nós ajudamos as gopis em seu empenho de amor. Ao ajudar assim aqueles enriquecidos com bhakti, sentimos nossos corações se enriquecerem com bhakti. Pela nossa força amorosa, não somente levamos Jagannatha de volta para Vrindavana, mas também o convidamos de volta para o nosso coração.



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